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Happy
Rock o ritimo do momento!
A alegria dos
pais:
Depois da tristonha onda emo, o happy rock toma a cena brasileira
com uma música ensolarada e sem compromisso. E, sobretudo,
muito bem-comportada
Estão
saindo de cena a indumentária escura, a maquiagem pesada
e as músicas lamurientas dos "emos", aqueles adolescentes
que se divertem sentindo-se tristonhos. Há cerca de um ano,
o cenário pop brasileiro vem sendo tomado por roupas de cores
extravagantes e canções animadinhas sobre baladas,
namoros e shopping centers. Alternativa ensolarada ao chororô
de NXZero e Fresno, essa nova vertente, capitaneada por bandas como
Restart e Cine, atende pelo nome singelo de happy rock. "O
emo briga com a namorada e fica triste. A gente rompe o namoro e,
beleza, a vida continua", diz PeLu, guitarrista do Restart.
Não é só a melancolia que foi proscrita: a
ancestral rebeldia do rock também se foi. Os músicos
de happy rock são o orgulho de papais e mamães.
Formado por
quatro paulistas de classe média, com idades entre 18 e 19
anos, o Restart é a ponta de lança do happy rock.
Os meninos alugaram uma casa de shows em São Paulo e criaram
a festa Happy Rock Sunday, da qual surgiu o nome do, vá lá,
movimento. É uma festinha vespertina, das mais comportadas:
os pais são convidados a participar. O disco de estreia do
Restart, lançado há três meses, já contabiliza
20 000 cópias vendidas. Uma sessão de autógrafos
do disco, em São Paulo, teve de ser cancelada por causa da
multidão de fãs – na maioria garotas de 12 a
15 anos – na porta da loja. Frustrada, uma delas soltou uns
palavrões em uma frase sem pé nem cabeça que
virou mania no YouTube. "A gente já se desculpou com
a menina, e ela até subiu no palco de um dos nossos shows",
diz o cantor e baixista Pe Lanza. Ao contrário de seus amigos
do Restart, o quinteto Cine não gosta muito do rótulo
"happy rock". "Na primeira vez que nos chamaram assim,
pensei que fosse rap rock", diz DH, o vocalista. Entre as referências
do Cine, que gosta de brincar com timbres eletrônicos, estão
bandas dos anos 80 como o New Order – que foi apresentado
aos meninos por seus pais.
O rock há
muito deixou de ser a música que os pais detestam (o rap
faz esse papel hoje). E no Brasil, depois da morte de Renato Russo,
em 1996, a contestação ficou relegada a artistas desarticulados
como Pitty. O happy rock abraça esse estado de coisas com
– o que mais poderia ser? – alegria. Resta saber se
ela vai durar. A exemplo de Menudo e ‘NSync, grupos assim,
cheios de meninos sorridentes, rapidamente deixam de ser fonte de
felicidade: basta as fãs crescerem um pouquinho e pronto
– eles logo viram motivo é de vergonha.
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